Pular para o conteúdo principal

08. Rio Grande do Sul - Serras Gaúchas, parte 1

Itinerário: São José dos Ausentes, Cambara do Sul e São Francisco de Paula

Fotos: Clique aqui


Depois que atravessei a divisa dos estados, fui seguindo a estrada de terra quase deserta com o cenário dos Aparados da Serra, forrada de capim de cor dourada.


Antes de chegar no camping Aparados da Serra passei pela pousada Monte Negro, muito bonita por sinal. No caminho conversei com o proprietário Sr Domingos: disse para eu arrumar alguns filhos e passar uns dias na pousada.


Um quilômetro depois cheguei no camping, montei a barraca, almocei no restaurante que fica ali e tratei de ir para o canion Monte Negro numa caminhada de 3 quilômetros.


O canion tem a vista do vale e também de uma grande fenda na Rocha. Tinha umas 15 pessoas ali que tiravam os selfies e iam embora.


De volta na pousada, depois da janta e do banho, vi algazarra dos hóspedes, tratei de ir deitar.


No dia seguinte desmontei o acampamento e segui para São José dos Ausentes. A estrada estava boa, sinalizada e o cenário bonito  como sempre. Porém no lado gaúcho via muito mais plantação de pinus.


Chegando na cidade fui procurar uma bicicletaria e um lugar para ficar. Logo descobri que não havia bicicletaria para comprar a bomba de encher pneu.


Encontrei uma pousada simples mas ninguém atendia. Como estava aberta, entrei e encontrei um chinês de pijamas (eram 14h), crocs e um squeeze que parecia uma mamadeira. Tentei contato, mas vi que não falava português. Daqui a pouco apareceram mais dois chineses, com roupas normais, mas tossindo muito. Falei, sabendo que não entederiam: -Dá licença, que vou sumir daqui. Fiquei no hotel mesmo.



No dia seguinte segui o caminho indicando Cambara do Sul. Desde o começo em estrada de terra mas com um asfalto inacabado que seria para ligar a cidade ao litoral.



A diferença com a estrada do dia anterior era enorme. Havia muita pedra solta e 15 quilômetros depois uma pedra que passei furou os dois pneus. Nunca na história desse país aconteceu isso comigo. Pior, estava sem a bomba para encher o pneu.


Podia voltar e pegar um ônibus para uma cidade maior ou andar 35 quilômetros até Cambara: resolvi continuar. Felizmente cinco quilômetros depois um cara de caminhão me deu uma carona até a propriedade dele, 10 quilômetros depois. Vi que ele só conseguia fazer 20 a 25 km/h por causa da estrada difícil.


Agradeci e continuei empurrando. Vi que chegaria a noite, mas uma pessoa em um carro me falou que havia uma borracharia na frente de uma fabrica. Alegria, consertei o pneu (o borracheiro estava ocupado).


Fiquei no camping Curucacas, sítio muito bonito com Lago enorme, ovelhas, patos. Fiquei três dias, para conhecer os dois cânions principais: Itaimbezinho e Fortaleza.  Contei que queria fazer a trilha do boi, mas ele disse que no inverno não tinha, pois é feita pela água do rio.



O Itaimbezinho, o mais conhecido, paga-se uma taxa de R $8 por pessoa para a ICMBio e faz-se 2 trilhas. Uma tem 6km ida e volta e a outra deve ter 2km. É mais estreito e recortado que os que passei.


O Fortaleza não tem taxa, ele é mais aberto e tem uma trilha que leva em um Morro onde se ve o canion de cima.



Fiz ambos indo de bicicleta com mais ou menos 40km ida e volta.



Na cidade meio que não tinha bicicletaria, disse o atendente da padaria que tomei café: -Ele é vigia e nas hora de folga conserta bicicleta. Vai no posto (cidade pequena não precisa falar o nome, porque é o único ) que tem a bomba. Comprei a bomba.


Viajei para São Francisco de Paula, distante 70 quilômetros. Na estrada não tem nenhuma venda, exceto em Tainha, um bairro bem no meio do caminho. Não vi ninguém na rua num domingo, só a dona do posto que me mostrou onde ficava o restaurante na Beira da estrada. Comida boa, cheio de gente.




Cheguei na cidade e fiquei no camping do Bosque. Comprei molho, macarrão e sardinha para a janta na venda. Dormi cedo.




Comentários

  1. Caramba dotor que coisa Hein o lance dos pneus, ótima a história dos chineses... kkkkkķ

    ResponderExcluir
  2. Caramba dotor que coisa Hein o lance dos pneus, ótima a história dos chineses... kkkkkķ

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Resumo

O caminho começou em Pindamonhangaba-SP no dia 30 de abril de 2016 e terminou em Curitiba-PR em março de 2017, somando pouco mais de 16.000 quilômetros pedalados. A rota foi planejada dado os seguites lugares chave: Serra Catarinense e Gaúcha, ruínas Jesuítas, Buenos Aires, Mendoza, Santiago, Pucon, Bariloche, Carreterea Austral, Glaciar Perito Moreno, Ushuaia. A partir daí tracei quais estradas eu iria passar pensando em outros lugares bonitos e estradas mais tranquilas. Esse é o tipo de viagem que não há um destino: a vivência do dia-a-dia era o que eu procurava. Meu amigo Kolb pedalou comigo por 8 dias e depois segui sozinho.  Minha bagagem ficava acomodada em alforges apoiadas no bagageiro da bicicleta além de itens que ficavam sobre o bagageiro e alguma coisa fixada no garfo.  Levei os seguintes itens: Mudas de roupas e agasalhos para o frio seguindo o conceito de camadas (segunda pele, fleece, corta-vento e capa de chuva) Kit de cozinha com uma panela, espiriteira a alco...

04. Paraná - Rota dos Tropeiros

Terminei o caminho Polo Cuesta em Campos de Holambra na cidade de Paranapanema e segui rumo ao estado do Paraná, passando por Itapeva e Itarare. Mudei o planejamento para evitar os 10km da rodovia Raposo Tavares até a cidade de Itaí. Sobe a rota dos tropeiros no trecho do estado do Paraná, segue no fim do post o link que explica sua história. Como não encontrei uma rota para o caminho, montei o meu conforme as estradas e o tempo disponível. Cheguei em Senges-PR pela cidade de Itarare-SP. Logo após a divisa dos Estados, segui um roteiro para conhecer a cachoeira do Corisco. Foi uma subida leve de 12 quilômetros, mas que valeram a pena. Chega-se em um mirante onde temos a vista da cachoeira e alguns cânions. No dia seguinte fui para a cidade de Jaguariaíva pela rodovia. O trecho foi com tendência de subida e o tempo estava bem fechado. O legal da cidade foi uma fábrica  antiga dos Matarazzo toda em tijolo a vista. No dia seguinte fui para a cidade de...

46. Punta Arenas a Ushuaia

Na cidade há um morro onde se vê a cidade por cima e é possível ver que os telhados das casas tem várias cores (dizem que para quebrar o cinza do tempo quase sempre nublado). Outra coisa da cidade é que uma zona franca com um shopping grande vendendo de tudo. Fiquei um dia para ir na zona franca e comprar a passagem de balsa para atravessar o estreito de Magalhães e chegar na Terra do Fogo que custou cerca de R$32. O próximo trecho seria chegar em Porvenir por balsa e pedalar em estrada de terra até a cidade de Rio Grande na Argentina 220km depois. Haveria o controle de fronteira e um pequeno parque onde pinguins vivem. A travessia foi tranquila e demorou pouco mais de 1h terminando na cidade de Porvenir. Atravessei a cidade e continuei por estrada de terra. Exceto pelas cidades e vilas, a ilha é praticamente deserta. Acampei em uma praia da baia Inútil No dia seguinte fui alcançado pelo Robin e Evald mais uma dupla de italianos. Os italianos seguiram na frente enqu...