Antes de chegar em Timbó, inicio do circuito Vale Europeu, vou escrever um pouco sobre o caminho no estado catarinense desde minha chegada no dia 02/06/16 na cidade de Mafra.
Estava hospedado em Rio Negro-PR e a divisa das cidades é feita pelo Rio de mesmo nome. Portanto cheguei bem cedo e apenas atravessei a cidade para chegar na BR116 e logo depois a BR280 que vai para o litoral.
A rodovia tinha uma ciclovia com guadrail que levava aos bairros mais afastados. Segui por uns 10 quilômetros e entrei em uma estrada de terra. Andei muitos quilômetros passando por sítios e fazendas mas sem nenhum bairro. Eventualmente passava descendentes de alemães em tratores ou motos.
Neste dia já planejei que iria acampar em algum lugar nesse estrada. Passei por algumas igrejas com espaço para festas onde daria para montar acampamento sem ser visto. Por volta das 17h cheguei no bairro Volta Grande e acampei na frente da escola, gramado e alto sem visão a partir de lugar nenhum. Foi tranquilo exceto pelo frio da manhã que era de 5 graus.
Na padaria conversei com o dono, palmeirense (ainda não encontrei alguém que torce para um time do estado), que me indicou o caminho que pega as cachoeiras.
Passei no camping Itaperuna que tem a cachoeira do Índio. Depois segui para o bairro das Palmeiras que é parte do caminho europeu e desci a serra para pousar em Rio dos Cedros, vizinha de Timbó.
Agora o circuito propriamente dito.
Dia 1: Timbó a Pomerode
Cheguei no restaurante Tapyoka, onde se retira o guia do caminho as 11h. Aproveitei para almoçar.
Comecei o caminho por volta das 12h esperando chegar em Pomerode. Inicialmente o caminho é bem tranquilo, em estrada de terra bem batida e plana. O dia eatava nublado com uns 15 graus de temperatura. Estava um pouco frio mas quando chegou o morro que dividia as duas cidades veio o calor de empurrar a bicicleta.
Nessa estrada passou muitos carros e achei que corriam muito para uma estrada de terra. Na parte de Pomerode se encontram muitas casas enxaimel.
Pouco antes de chegar no Centro da cidade começou a chover. Fiquei na primeira pousada que encontrei, que foi a do Max por R $80. Depois fui comer na padaria-famosa-da-cidade Torten Paradise.
Dia 2: Pomerode a Rodeio
Meu planejamento para o caminho era mais ou menos "anda até onde der". O guia sugeria ficar em Indaial, mas analisando os gráficos de distância x altitude, achei que dava para ir mais.
Bom, comecei sem saber pra onde ia. O dia estava chuviscando e da aquela vontade de ficar na cama. Convenci minhas pernas a levantar e fui arrumar as malas bem devagar.
Pensei em seguir as placas indicando rota enxaimel, que não é rota do caminho mas a chuva apertou e desisti.
O caminho seguia passando pela zona rural da cidade. Plantações de plantas ornamentais nos cantos da estrada e sempre acompanhando algum riacho. Isso é bem legal no caminho todo.
Na subida encontrei um senhor empurrando a bicicleta. Seu nome era Ademir e acompanhei ate a casa dele em estilo enxaimel com mais de cem anos. Disse que ja foi pra Joinvile e Corupa de bicicleta mas que precisava fazer uma cirurgia no coração. Sentia-se cansado, mas estava subindo um baita morro.
Atravessei o morro dentro de uma floresta e cheguei na rodovia. Ali vi um restaurante com nome e bandeira alemã e entrei achando que ia tomar cerveja e comer chucrute. Descobri que o cardapio era bem brasileiro com feijoada e carne de churrasco.
Depois atravessei outro morro mais curto e cheguei em Indaial, cidade grande com muitos carros. Decidi seguir andando pela infinita avenida de paralelepípedo. Minha bicicleta trepidava muito até que o suporte da bolsa com baterias e carregadores quebrou e a bolsa entrou no raio. Não quebrou nenhum raio mas a roda empenou um pouco.
A estrada continuou seguindo o rio Itajaí. Em Ascurra não encontrei hospedagem, então fui tentar a indicação da planilha em Rodeio, cinco quilômetros adiante. Fiquei na hospedagem Stolf por R$65.
A noite fui numa padaria comer uma cuca de banana e tomar um café. A pousada é muito boa, o casal de senhores tratam muito bem os hóspedes.
Dia 3. Rodeio a Doutor Pedrinho
Depois de um café da manhã muito bom segui o roteiro que logo me conduziu a uma estrada de terra. No começo foi plano mas logo as subidas chegaram.
São quase 10 quilômetros de subida e fiz 80% empurrando. Estava satisfeito porque o dia estava ensolarado. Pelo caminho passei por muitos sítios entre a floresta. Depois o caminho fica plano com tendência de descida.
Cheguei na bifurcação da Cachoeira do zinco e decidi arriscar, mesmo sem ter ligado. Havia uma cancela impedindo a passagem, mas dali se tem uma vista da queda. Pelo menos não precisei fazer a subida terrível. Pelo que vi pode entrar nos finais de semana ou se agendar a hospedagem com o dono.
A estrada continuou acompanhando o rio até chegar na cidade. Meu pneu furou, mas conseguia ir enchendo até chegar no hotel. Estava hospedado um cara de Itajaí fazendo o caminho com esposa e filho no carro.
Dia 4. Doutor Pedrinho a Cachoeira Véu da Noiva.A noite foi fria e pela manhã vi alguns lugares com geada. Acordei mais tarde e acabei saindo depois das 9h. Dez quilômetros depois cheguei na Cachoeira Véu da Noiva. Tem uma trilha de um quilômetro na floresta e chega-se na parte de baixo da queda de uns 50 metros. O lugar tem uma churrasqueira, dois bancos e lixeiras pelo caminho.
Resolvi acampar ali e conserto o suporte da bolsa das ferramentas, feita agora com uma fita de aço fixada com abraçadeiras. Vamos ver agora pois o suporte de alumínio não da conta. Fiz o almoço e tirei algumas fotos e fui escrevendo o texto do diario.
Depois das 14h o sol não passa mais no canion onde estava e depois das 16h já estava 10 graus de temperatura. Acho que a madrugada deve ficar perto dos 0 grau.
Dia 5. Cachoeira Véu da Noiva ao Camping Cachoeira Formoso
Minha barraca, saco de dormir, liner e blusas não me deixam passar frio pela manhã. Porém pra desmontar a barraca com os dedos doendo não é fácil.
Continuei a estrada sentido Alto Cedros num trecho de subida longo. Neste trecho passei por muitos sitios mas pouca gente. Cheguei na represa com sol e resolvi fazer o caminho do mergulhão. Este trecho até a outra represa é longo e isolado.
A tarde foi passando e já estava imaginando ter que acampar em alguma igreja no bairro das palmeiras. Por volta das 17h encontrei o camping da Cachoeira do formoso e caí-pá-dentro. O lugar é bem plano com muito gramado e árvores de pera, caqui e araucárias e duas cachoeiras muito bonitas.
Conversei com o Fernando, Pedro e o Ze, que me convidaram para jantar com eles. Esse foi o dia mais frio da viagem e por volta das 20h o orvalho já estava congelando.
Passei um frio por volta das 5 horas e o pessoal me disse que fez -3 graus. Pela manhã o gramado estava todo branco e a água que se forma na cobertura da barraca era gelo. Deixei o camping quase meio dia e desci a serra para Palmeiras. Comprei alguns mantimentos e desci outra serra.
Dia 7. Camping Cachoeira do Formoso a Timbó
No último dia do caminho eu imaginei que seria tranquilo e portanto sai perto da hora do almoço para conversar mais com o pessoal do camping. Conversamos sobre o lugar, ensino, Sul livre e outras coisas.
Despedi do pessoal e continuei por 12 quilometros até a represa de Palmeiras. Nesta o bairro é maior que o da outra represa, com mais comércio.
A descida da segunda serra é bastante íngreme e isso não faz render. O fina da descida é numa ponte de madeira coberta e segundo o gráfico altimetrico eu teria um Morro para atravessar.
Sai da principal e quase escalei o morro com algumas subidas de mais de 15%. Felizmente a descida era suave e cheguei em Benedito Novo quase anoitecendo.
Perguntei sobre pousadas mas parecia que não havia, então continuei a noite até Timbó. Fiquei no hotel Irias por $60.
Tirei o dia seguinte de folga para buscar o certificado e levar a bicicleta na Oficina.
































Belas fotos! Céu estrelado, belas cachoeiras e araucárias. (Exceto o frio que passou)
ResponderExcluirVer essas fotos é um conforto para os olhos e alma.
Boas pedaladas!!
Caramba Alessandro , o frio está judiando, mais a paisagem até parece a Europa . Parabéns e coloque no seu cantil uma cachacinha para esquentar, abc Jorge.
ResponderExcluirMesmo com o frio a paisagem vale a pena!!!!
ResponderExcluirMesmo com o frio a paisagem vale a pena!!!!
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